Jornal Vascular Brasileiro
https://jvascbras.org/article/doi/10.1590/1677-5449.202400521
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Acessos vasculares no Pará: aspectos clínico-epidemiológicos dos pacientes em terapia renal substitutiva no maior centro de referência do estado

Acessos vasculares no Pará: aspectos clínico-epidemiológicos dos pacientes em terapia renal substitutiva no maior centro de referência do estado

José Maciel Caldas dos Reis; Iara de Brito Silva; Maria Gabriela Perdigão Barros Monteiro; Maria Mirella Nunes Bessa Guerra; Daniele Lima da Costa; Fabiany de Fátima Pompeu Rodrigues; Mariseth Carvalho de Andrade

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Resumo

Contexto: No estado do Pará, não há dados oficiais quanto à prevalência de doença renal crônica terminal em diálise.

Objetivos: Descrever o perfil clínico-epidemiológico dos pacientes em hemodiálise no maior centro de referência do Pará.

Métodos: Trata-se de um estudo observacional, transversal, descritivo e quantitativo. Foi realizada estatística descritiva simples. Os dados foram coletados por meio de prontuários, de junho a agosto de 2022, no Centro de Hemodiálise do Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HCGV) e na Clínica de Hemodiálise Monteiro Leite (CHML), ambos em Belém (PA). Foram entrevistados 191 pacientes do programa crônico de hemodiálise.

Resultados: Dos entrevistados, 28,8% eram pacientes do HCGV e 71,6%, do CHML. Desses, 57,1% eram homens e 42,9%, mulheres. A média de idade foi de 54,1 anos. Entre os resultados observados, 65,4% se autodeclararam pardos, 44,5% completaram o ensino fundamental, 41,9% eram solteiros, 71,4% eram hipertensos, 40,6% eram diabéticos e 77,5% tinham média de 4 anos em terapia renal substitutiva. Em relação ao tratamento, 86,9% iniciaram a terapia por cateter de curta duração, 8,4% utilizaram o de longa permanência e 4,7% apresentaram o acesso definitivo com uma fístula arteriovenosa (FAV) maturada. Atualmente, 58,1% dos pacientes apresentam FAV nativa, 34% têm cateter de longa permanência e 3,1% possuem cateter de curta duração e sem FAV.

Conclusões: Pacientes em terapia renal substitutiva no Pará iniciam a hemodiálise predominantemente de forma não planejada, por meio de cateteres venosos temporários, embora evoluam para acessos definitivos ao longo do seguimento. Esse cenário evidencia a necessidade de diagnóstico precoce da DRC e planejamento antecipado do acesso vascular, visando reduzir complicações e otimizar os desfechos clínicos.

Palavras-chave

insuficiência renal, diálise renal, epidemiologia, terapia renal substitutiva

Abstract

Background: There are no official data on the prevalence of end-stage chronic kidney disease with dialysis for the Brazilian state of Pará.

Objectives: To describe the clinical-epidemiological profile of hemodialysis patients at the largest specialist center in the state of Pará.

Methods: This is an observational, cross-sectional, descriptive, quantitative study. Simple descriptive statistics were calculated. Data were collected from medical records from June to August 2022 at the Hemodialysis Center at the Hospital de Clínicas Gaspar Vianna (HCGV) and the Monteiro Leite Hemodialysis Clinic (CMHL), both in Belém, Pará, Brazil. A total of 191 patients from the chronic hemodialysis program were interviewed..

Results: Of the total sample, 28.8% patients were from HCGV and 71.6% from CHML; 57.1% were men and 42.9% were women. Mean age was 54.1 years. Results showed that 65.4% of patients self-reported skin color as brown, 44.5% had completed primary education, 41.9% were single, 71.4% had hypertension, 40.6% had diabetes, and 77.5% had been on renal replacement therapy for a mean time of 4 years. Regarding treatment, 86.9% started treatment with a short-duration catheter, 8.4% were using a long-dwelling catheter, and 4.7% had a definitive dialysis access via a mature arteriovenous fistula (AVF). Currently, 58.1% of these patients have a native AVF, 34% have a long-dwelling catheter, and 3.1% have a short-duration catheter and no AVF.

Conclusions: Patients on renal replacement therapy in Pará predominantly initiate hemodialysis in an unplanned manner, using temporary venous catheters, although they transition to definitive vascular access over time. This scenario highlights the need for early diagnosis of chronic kidney disease and timely vascular access planning, aiming to reduce complications and optimize clinical outcomes.

Keywords

kidney failure; renal dialysis; epidemiology; renal replacement therapy

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Submitted date:
06/08/2024

Accepted date:
01/14/2026

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